Ter uma ideia forte para um produto novo é apenas o primeiro passo. Antes de avançar para a produção com um fabricante, é essencial criar um protótipo: a primeira versão física, ainda não final, do produto.
Muitos empreendedores saltam a fase de prototipagem por estarem focados em vender rapidamente e gerar receita. No entanto, desenvolver um protótipo permite poupar tempo e dinheiro no longo prazo. É nesta fase que se identificam falhas de design, limitações técnicas, custos reais de produção e ajustes necessários antes do produto chegar ao mercado.
Um protótipo ajuda a:
- Detetar problemas de fabrico antes da produção em escala
- Validar se o produto funciona como esperado
- Estimar custos com mais precisão
- Melhorar o design antes de o apresentar a clientes, parceiros ou investidores
Para quem não sabe por onde começar, este guia explica como fazer um protótipo passo a passo e como proteger o design, permitindo avançar para a produção em massa com mais segurança e confiança.
O que é um protótipo?
Um protótipo é uma versão inicial e ainda não lançada de um produto. É criado para ajudar a visualizar como será o produto final, identificar falhas de design ou funcionamento e recolher feedback antes de investir na produção em massa.
Existem dois tipos principais de protótipos:
- Protótipos visuais (ou virtuais): mostram a aparência do produto, como forma, tamanho e estética.
- Protótipos funcionais (ou modelos de trabalho): demonstram como o produto funciona na prática.
Nem sempre é necessário criar ambos. O tipo de protótipo depende do objetivo. Como refere Tim Ferriss, autor de The 4-Hour Work Week, o essencial é definir primeiro a finalidade do protótipo: avaliar a viabilidade de fabrico, testar funcionalidades, apresentar a investidores ou validar o produto com clientes. Ter esse objetivo claro orienta todas as decisões no processo de prototipagem.
Por que é necessário um protótipo?
Embora a prototipagem possa parecer um passo extra, criar um protótipo antes da produção em massa tende a poupar tempo e dinheiro a longo prazo. Aqui tem as principais razões:
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Identificar e corrigir problemas antecipadamente. Um protótipo permite detectar falhas de design ou funcionamento antes do produto chegar aos clientes. Por exemplo, ao desenvolver uma capa de bateria para iPhone, um teste físico pode revelar problemas de equilíbrio ou ergonomia que não seriam óbvios apenas no papel.
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Apoiar a pesquisa de mercado. Colocar um protótipo nas mãos do público-alvo permite recolher feedback real antes de investir mais recursos na produção. Isso ajuda a validar se o produto resolve um problema relevante.
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Reduzir o risco do negócio. A prototipagem evita investir milhares de euros num produto que pode não funcionar ou não ter procura. Um protótipo pode ser usado para criar materiais visuais, lançar pré-vendas e medir o interesse do mercado.
- Facilitar a captação de investimento. Investidores tendem a confiar mais em ideias que já têm forma física. Um protótipo torna o projeto mais concreto do que apenas um plano de negócios e ajuda a demonstrar viabilidade técnica e potencial comercial.
Como fazer um protótipo
- Proteger a propriedade intelectual
- Criar um protótipo virtual
- Construir um protótipo físico
- Avaliar os custos
- Obter feedback
- Testar e refinar o protótipo
- Lançar um produto mínimo viável (MVP)
1. Proteger a propriedade intelectual
As leis de propriedade intelectual existem para proteger invenções e ideias de produto. Alguns fornecedores podem copiar um conceito e produzi-lo por conta própria caso o design não esteja legalmente protegido.
Por isso, a proteção deve acontecer logo nas fases iniciais da prototipagem. O ideal é recorrer a um advogado de propriedade intelectual para registar uma marca e avaliar a possibilidade de patentear o design. Normalmente, isso envolve a submissão de um pedido de patente provisória, bem como a criação de documentação que comprove a autoria do produto, devidamente assinada e datada, antes de qualquer contacto com fabricantes ou parceiros externos.
2. Criar um protótipo de produto virtual
Depois do design estar protegido, o próximo passo é desenvolver o produto em nível visual. Um protótipo virtual ajuda a clarificar a forma, proporções e funcionalidades antes de avançar para a produção física.
A abordagem mais simples é começar com papel e caneta, criando esboços que representam o aspeto do produto, as suas principais características, funcionalidades e materiais possíveis. Para quem procura maior precisão, também é possível utilizar software de prototipagem visual como Figma ou Vectr, embora estas ferramentas exijam algum tempo de aprendizagem.
3. Construir o protótipo físico
Depois de definir o conceito visual, o próximo passo é criar uma versão física do protótipo. Existem várias formas de o fazer. A primeira é através de um protótipo DIY (feito internamente).
Protótipo DIY (feito internamente)
Neste método, a própria pessoa ou equipa reúne os materiais necessários e constrói o protótipo manualmente. Pode ser feito com materiais simples e acessíveis, como papel, cartão, espuma, plástico ou outros materiais de baixo custo, dependendo do produto.
Vantagens dos protótipos DIY:
- Custos mais baixos, uma vez que não há necessidade de pagar a fornecedores externos.
- Menor risco de cópia da ideia, já que não há partilha do conceito com terceiros.
- Maior flexibilidade para testar, ajustar e refinar o protótipo quantas vezes forem necessárias.
Desvantagens dos protótipos DIY:
- Exige um nível elevado de competência técnica e manual para construir o protótipo do zero.
- A compra de materiais em pequenas quantidades pode sair mais cara.
- A ausência de feedback externo pode tornar o processo mais lento e menos eficiente, sobretudo em fases de iteração.
Encontrar um fornecedor ou fabricante de protótipos
Para quem prefere não seguir a abordagem DIY, recorrer a fabricantes profissionais de protótipos é uma alternativa viável. Estes fornecedores especializados assumem a criação do protótipo, permitindo beneficiar da sua experiência técnica e dos seus processos já consolidados.
Por exemplo, no caso da produção de leggings de ginásio, pode ser contratado um atelier de costura ou uma costureira especializada para desenvolver o protótipo. Esta opção reduz a pressão associada à criação interna e permite apoiar-se no conhecimento de profissionais que passam regularmente pelo processo de prototipagem.
Vantagens de terceirizar a prototipagem:
- Poupança de tempo ao tirar partido da experiência de empresas especializadas.
- Acesso às redes de fornecedores de matérias-primas e fabricantes já estabelecidas.
- Criação de protótipos funcionais mais precisos, facilitando testes e validações.
Desvantagens de terceirizar a prototipagem:
- Custos mais elevados, especialmente em fases iniciais.
- Dificuldade em encontrar um fabricante de confiança.
- Risco de cópia do design por terceiros, sobretudo se não existir um acordo de confidencialidade assinado.
- Alterações ao protótipo tendem a ser mais caras, demoradas e complexas.
Encontrar o fabricante certo é, muitas vezes, o maior desafio deste processo. Tim Ferriss recomenda visitar feiras especializadas no setor em que se pretende entrar, uma vez que esses eventos reúnem fabricantes e distribuidores respeitáveis num único local.
Depois de identificar vários potenciais parceiros, o ideal é enviar pedidos de proposta a todos, deixando claro que existem outras opções em consideração. Segundo Ferriss, orçamentos muito limitados para a primeira produção dificilmente impressionam os fabricantes, pelo que a abordagem deve ser realista e profissional.
Tentar a impressão 3D
A impressão 3D permite criar uma versão física de um design assistido por computador, recorrendo a um processo de prototipagem rápida. Utiliza materiais relativamente acessíveis, como plástico, borracha ou nylon, para produzir modelos físicos que ajudam a visualizar a invenção antes da produção em larga escala.
Existem também lojas especializadas que oferecem serviços de impressão 3D e prototipagem rápida, permitindo desenvolver e iterar protótipos físicos de forma ágil, sem necessidade de investir de imediato em equipamento próprio.
Vantagens da prototipagem por impressão 3D:
- Torna-se económica a longo prazo quando a empresa possui a própria impressora.
- É uma opção mais sustentável, já que a impressão 3D tende a ter uma pegada de carbono inferior à fabricação em massa.
- Permite criar e ajustar protótipos físicos de forma muito rápida, especialmente quando comparada com métodos tradicionais como a moldagem por injeção.
Desvantagens da prototipagem por impressão 3D:
- Limitação ao tamanho dos objetos e à variedade de materiais disponíveis.
- Exige conhecimentos em software de modelação 3D e, em alguns casos, em equipamentos industriais.
- Requer acesso a uma impressora 3D ou a tecnologias dispendiosas, como usinagem CNC.
- Pode ser difícil criar protótipos totalmente funcionais, sobretudo em produtos complexos, como dispositivos eletrónicos ou câmaras.
4. Avaliar os custos
Independentemente do caminho escolhido para fabricar o primeiro protótipo, Charlotte Dickinson, fundadora da Minus Eyewear, recomenda a utilização dos materiais exatos que serão usados no produto final. Segundo ela, isso ajuda a revelar problemas inesperados logo no início do processo.
Como explica: quando os primeiros protótipos foram feitos com um acetato ligeiramente diferente do material final, surgiram imperfeições e inconsistências ao aplicar os padrões no acetato real, que era mais quebradiço. Esses detalhes só ficaram claros porque o material definitivo foi testado.
Usar os materiais finais tem ainda outro benefício importante: facilita a definição da estratégia de preços. A partir do custo real de prototipagem, torna-se mais simples responder a questões como:
- Quanto custa produzir o produto final?
- A que preço pode ser revendido?
- As margens de lucro são sustentáveis?
Ferramentas como a calculadora gratuita de margem de lucro da Shopify ajudam a garantir que, depois de considerados os custos de fabrico, ainda existe lucro. Afinal, o objetivo do negócio é gerar receita de forma sustentável.
Dica: Certifique-se de que sobra algum lucro após subtrair os custos de fabricação do seu preço de venda.
Como nota adicional, Tim Ferriss aconselha cautela na fase inicial de produção. Se o protótipo for desenvolvido através de um fabricante, o ideal é encomendar lotes pequenos. Custos unitários mais baixos em grandes quantidades podem ser tentadores, mas representam um risco elevado antes de existir procura comprovada.
Produzir milhares de unidades sem validação do mercado pode resultar em excesso de stock, problemas de tesouraria e pressão financeira a curto prazo. Além disso, ajustes ao produto são quase inevitáveis. Caso seja necessário corrigir um defeito, alterar uma funcionalidade ou rever a rotulagem, trabalhar com pequenos lotes permite fazer mudanças sem desperdiçar grandes quantidades de inventário.
Em resumo, avaliar os custos com realismo e proteger o fluxo de caixa nesta fase é essencial para reduzir riscos e garantir flexibilidade à medida que o produto evolui.
5. Obter feedback
Depois de o primeiro protótipo estar concluído, é essencial recolher feedback junto do mercado-alvo. Esta etapa permite validar o produto com pessoas que realmente representam os futuros clientes.
Familiares e amigos tendem a dar opiniões positivas por cortesia ou apoio pessoal, o que pode distorcer os resultados. Além disso, se não fizerem parte do público ideal, dificilmente irão identificar problemas reais ou necessidades práticas que o produto possa ter no uso diário.
Para obter opiniões relevantes, o ideal é identificar o público-alvo através de métodos como:
- Organizar grupos focais na região local.
- Contactar pessoas que seguem ou compram de marcas concorrentes nas redes sociais.
- Publicar convites para testadores beta em comunidades online frequentadas pelo público-alvo.
- Aplicar inquéritos a clientes existentes, caso a empresa já venda online.
Durante a recolha de opiniões, devem ser feitas perguntas claras e objetivas, como:
- Comprariam este produto?
- O que mudariam ou melhorariam?
- Que problemas vêm no uso do produto?
- Quanto estariam dispostos a pagar?
As respostas devem servir de base para ajustar e melhorar a próxima versão do protótipo.
Varun Sharma, co-fundador e CMO da Laumière Gourmet Fruits, destaca a importância de analisar o feedback com critério. Segundo ele, nem todas as opiniões devem ser aplicadas diretamente, mas sim avaliadas com base no impacto que teriam na base dos clientes como um todo. Quando esse processo é bem estruturado, a prototipagem torna-se mais simples e eficiente.
Além disso, envolver as pessoas no processo tem um benefício adicional: os utilizadores gostam de ser ouvidos. Pedir feedback ajuda a criar uma relação mais próxima com o público e contribui para um desenvolvimento de produto mais alinhado com as expectativas reais do mercado.
6. Testar e refinar o protótipo
Nesta fase, o feedback recolhido deve ser combinado com testes rigorosos do protótipo. O objetivo é identificar falhas, melhorar funcionalidades e aproximar o produto da sua versão final.
Myriam Leblanc, fundadora da Bloire, explica que uma das partes mais desmotivadoras para quem nunca desenvolveu produtos é o número de iterações necessárias até chegar a um bom resultado. Mesmo em produtos aparentemente simples, como um brinquedo para gatos, podem ser necessárias dezenas de versões antes da produção em massa. Segundo Myriam, o mais importante é manter o foco no objetivo final e priorizar os elementos essenciais do produto. O primeiro protótipo raramente inclui todas as funcionalidades desejadas, e decidir quais remover pode ser um processo difícil, mas inevitável.
Em vez de testar o produto durante alguns minutos e tirar conclusões precipitadas, o ideal é entregar um protótipo funcional ao público-alvo para utilização em contexto real. Esse uso prolongado revela problemas que dificilmente surgiriam em testes superficiais. As opiniões recolhidas devem, então, ser integradas na versão seguinte do protótipo.
Por exemplo, ao disponibilizar um protótipo antecipado de uma carteira antifraude para testes, os utilizadores podem confirmar que o produto cumpre o objetivo principal de bloquear clonagens contactless. No entanto, podem surgir novos problemas, como o tamanho excessivo da carteira, tornando-a incompatível com bolsas padrão. Neste caso, é necessário regressar à fase de desenho e desenvolver uma nova versão, reduzindo o tamanho sem comprometer a funcionalidade principal.
Este ciclo de testar, ajustar e repetir é uma parte essencial do processo de prototipagem e aumenta significativamente as hipóteses de sucesso antes do lançamento em escala.
7. Lançar um produto mínimo viável (MVP)
Nem todos os novos produtos precisam de estar perfeitos antes de começarem a ser vendidos. Quando o protótipo atinge a fase de produto mínimo viável (MVP), o passo seguinte é criar uma loja online e colocá-la no mercado para atrair os primeiros adotantes. Esse contacto inicial com clientes reais funciona como a validação final antes de investir na produção em escala.
A escolha de uma plataforma de e-commerce como a Shopify permite lançar rapidamente uma loja online e começar a promover os produtos. É pouco provável que surjam centenas de vendas de imediato, mas mesmo um pequeno número de encomendas já pode ser suficiente para confirmar que a ideia tem procura.
Como resume Varun Sharma, co-fundador e CMO da Laumière Gourmet Fruits: se alguém espera aperfeiçoar totalmente o produto antes de enviar o primeiro artigo físico, está a abordar o processo de forma errada. O mais eficaz é lançar o que já existe, recolher feedback rapidamente e continuar a iterar até o produto evoluir e melhorar.
Começar a fazer protótipos hoje
O processo de prototipagem pode ser longo e dispendioso, mas tende a poupar tempo e dinheiro no longo prazo. O ponto mais crítico é a proteção: ao trabalhar com fabricantes de protótipos externos, é essencial garantir que a propriedade intelectual está legalmente salvaguardada antes de avançar.
O trabalho não deve parar após o primeiro protótipo. O passo seguinte é recolher feedback do mercado-alvo e validar a ideia de produto antes de investir na produção em massa. Esse MVP pode ser lançado através de uma loja online, permitindo começar a gerar vendas e aprender com utilizadores reais enquanto o produto evolui.
Perguntas frequentes sobre a criação de protótipos
Quanto custa fazer um protótipo?
Os custos de criação de protótipos tendem a ser mais elevados do que os da produção em larga escala, uma vez que não existem benefícios de economia de escala nem descontos por volume. A opção mais económica costuma ser a criação do protótipo internamente, já que, nesse caso, apenas é necessário suportar o custo das matérias-primas.
Quem pode ajudar na criação de um protótipo?
Existem vários perfis e serviços que podem apoiar o processo de prototipagem, dependendo do tipo de produto e do nível de complexidade envolvido.
Entre os mais comuns estão empresas de impressão 3D, software de prototipagem visual, empresas especializadas em protótipos físicos, designers de produto ou de protótipos e advogados de patentes, que ajudam a proteger a propriedade intelectual.
Como criar um protótipo de uma ideia?
O processo de criação de um protótipo pode começar de forma simples, com um esboço inicial do design em papel. A partir daí, é possível recorrer a ferramentas de prototipagem digital para testar formas e funcionalidades, experimentar a impressão 3D para criar versões físicas e, posteriormente, desenvolver um produto mínimo viável.
Em fases mais avançadas, o protótipo pode ser terceirizado para especialistas com experiência técnica específica.
Qual é o propósito de um protótipo?
A prototipagem acontece nas fases iniciais do desenvolvimento de um produto. O seu principal objetivo é identificar e resolver problemas antes da produção em massa, reduzindo riscos e evitando custos elevados no futuro.
Ao antecipar falhas técnicas, de design ou de utilização, o protótipo contribui para um processo de desenvolvimento mais eficiente e sustentável.


